Quando até o amor é bobo...


posted by Tiago Peçanha on

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Sem nem ser um ator hollywoodiano ou sem nem ter gabaritado todos os pilares do Oscar, nas minhas fantasias eu sou perfeito em criar personagens para mim mesmo. Eu me imagino dizendo palavras engomadas de amor. Eu me imagino fazendo reações em cadeia com a natureza, só para que chova bem na hora em que estou me declarando. A cena é de novela ou de drama ou de comédia romântica ou de clichês sucessivos incansáveis ininterruptos, tanto faz, você está lá no meu circo de ilusões.

Da fase da semente eu já passei. Sou um fruto maduro, esperando para ser escolhido e mordido pelos seus dentes simetricamente perfeitos e intercalados com seus lábios chapiscados de batom. Seu figurino é comum. Sem extravagância. Simples como cobra o General do exército do meu desejo. Permuto-lhe de maneiras evasivas. Apaixonado pelo risco e pela inovação, não ligo quando você muda meu jeitinho. Perto de você eu me recrio.

Daí veio o problema: a paixão é bonita, mas me deixa bobo. Fico parecendo um imã quando tem um ferro se aproximando. Dou meus tremeliques, minhas remexidas incomuns e já quero me grudar. Me comporto de uma maneira infantil, praticamente volto a ser criança. Fico inabilitado de minhas experiências e de minha fase adulta. Fico irreconhecível. Praticamente estará conhecendo uma outra versão de mim. Um cara fora do que eu imaginava que a tinha aos braços. Mas não consigo mudar. A beleza persuade meus olhos num encanto de colisão de personalidades. Fico remando na imprecisão e me jogo na timidez. Longe daquele eu que já tinha palavras exuberantes prontas para disparar em direção aos seus olhos, mas que sempre dá lugar ao que guarda de forma repugnante as palavras indubitáveis. Amor? Bobo.

Amor bobo. Que nos deixa bobo. Que é bobo. Amor de bobo. E como adoramos ficar bobos. Ser bobos. Bobos apaixonados por bobos. O amor bobo é onipresente. Alguns adoram o amor bobo, mas será que realmente encanta?

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