Refém


posted by Tiago Peçanha on

No comments


Às vezes me vem à cabeça e eu já me perdi.
Esse instinto que há em meus olhos é mais forte que meu poder de negação.
Não vou olhar.
Não quero essa face esculpida em minhas pupilas para que as esperanças criem acontecimentos que fariam nascer esse tão raro ato em minha face que se chama sorrir. 
Mas é sorrir pelo preenchimento do vazio nessa lacuna aqui do lado escuro e esquerdo do peito. 
E já perdido no meio de tanta vontade, eu olho. 
Pronto. Já era. 
Virei refém da idoneidade de persuasão daqueles cachos.
Daquele lábio carnudo e delineado ao prazer do encaixe aos meus.
Daquela bochecha macia como a própria palma da mão da mesma.
Daquela deliciosa sensação de flutuar pelo cheiro de caramelo do balançar de seu vestido. 
Olhos atados. 
Refém. Da vontade. 

Leave a Reply