Impossível


posted by Tiago Peçanha

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Queria falar do impossível. Queria entender como ele próprio se define assim. Entender sua semântica e ir além de sua representação. Dissecá-lo como se estivesse numa aula de biologia e ver por dentro seu funcionamento ou despedaça-lo como se fosse um diamante e analisar seus cristais. Entendo somente que, em termos definitivos, sua significação dá-se justamente por sua diversidade.

A ideia de impossível é aplicada, por exemplo, se o objetivo traz no entorno a insuficiência de materiais para ser completado. O impossível pode também tomar a forma de uma via sem volta: quase como atravessar uma pinguela e durante o processo as madeiras caírem. O impossível, às vezes, é um desejo e por só aquele desejo assim será para sempre, sem conclusão ou satisfação plena. O impossível, dessa forma, é nitidamente um naufrágio de ambições de ideais.

Ao apresentar um caráter irreversível, o impossível não somente compreende um vazio no ser, como também este mesmo vazio ramifica-se em mais vazios em outros impossíveis. A união de vazios atina para um buraco infinito ou estar suspenso no ar sem estar voando e sem conseguir ver o chão. Quase como um rapaz gordo que insiste no convite à moça mais bela e é recusado em todas. Porque não só basta a impossibilidade da conquista, mas também a impossibilidade de ser idealmente como exigem os padrões de sociedade e suficientemente atrativo para aquela mulher. O impossível varia, mas não vacila. O impossível oprime, mas não alivia.


O impossível compreende, assim, uma não-variação no que se refere a ser contrário à ele, mas sim atingindo um estado concreto, absoluto, uma parede inquebrável. Ele pode sim apresentar uma brecha para uma opção de reversão, no entanto, embora não tão obstante, uma alma plena de razão entende do subterfúgio de abraçar uma ideia de escorregar-se de um sofrimento e não ser assim. 

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